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A morte da MTV News e o que isso significa para os arquivos digitais: coluna de convidado

Em um desenvolvimento recente e bastante inquietante, a Paramount Global decidiu remover os arquivos digitais da MTV News e Comedy Central que abrangeram mais de trinta anos, efetivamente apagando o acesso público a milhões de peças da história cultural. Esta decisão desencadeou uma ampla conversa sobre as ameaças aos arquivos digitais históricos. Como CEO da Museu da Cultura Pop (MoPOP)Considero que este desenvolvimento não só é preocupante, mas também reflecte uma questão mais ampla que a nossa sociedade enfrenta hoje — a necessidade de arquivos acessíveis e preservados que sustentem a integridade da nossa história cultural.

O Impacto da Perda do Arquivo da MTV News

A MTV tem sido um ícone cultural desde sua criação, influenciando música, moda, linguagem e estilo de vida, e moldando a identidade social de gerações. Ao digitalizar e tornar seus arquivos publicamente acessíveis, a MTV News não apenas preservou uma vasta gama de artefatos culturais, mas também forneceu recursos inestimáveis ​​para educação, pesquisa e entretenimento. A remoção de tal arquivo significa mais do que apenas perder o acesso a antigos videoclipes e programas; representa uma perda da capacidade de estudar e entender mudanças culturais significativas e fenômenos que moldaram a sociedade contemporânea. Sem mencionar que milhares de trabalhos de jornalistas e artistas foram permanentemente excluídos.

Esta ação estabelece um precedente perigoso para a preservação da mídia digital. À medida que nosso mundo se move cada vez mais online, o papel das empresas de mídia em manter arquivos acessíveis se torna cada vez mais crucial. A exclusão desses arquivos pode levar a uma amnésia cultural, onde as gerações futuras não têm os recursos para aprender com os cenários de mídia do passado, entender a evolução das normas sociais e apreciar a arte e a criatividade que caracterizaram diferentes eras.

Por que o arquivamento digital é importante

O arquivamento digital é essencial não apenas para preservação, mas também para tornar o conteúdo histórico e cultural acessível a um público global. Ele democratiza o acesso à informação, garantindo que qualquer pessoa com acesso à internet possa aprender e aproveitar o patrimônio cultural, independentemente de barreiras geográficas e socioeconômicas.

Museus e instituições culturais devem liderar a carga na defesa e implementação de estratégias robustas de arquivamento digital. Por exemplo, no MoPOP, estabelecemos uma extenso arquivo digital dos cinco elementos fundamentais da cultura hip-hop: DJing, MCing, arte do grafite, B-boying/B-girling e conhecimento de si mesmo. Este arquivo serve como uma ferramenta educacional que destaca o contexto sociopolítico em que o hip-hop evoluiu. O compromisso com o arquivamento digital também apoia a pesquisa acadêmica e promove o aprendizado contínuo, garantindo que o conteúdo cultural inestimável seja preservado e acessível para as gerações futuras.

À medida que nossa dependência de recursos digitais e bancos de dados acadêmicos se aprofunda, a acessibilidade desses materiais se torna crucial, não apenas opcional. Essa dependência ressalta um desequilíbrio de poder significativo — onde a disponibilidade de informações é controlada por poucos, o potencial de perda ou restrição de acesso pode ter consequências de longo alcance. É por isso que é imperativo defender uma legislação que imponha a preservação do conteúdo digital e garanta sua acessibilidade. Políticas específicas, como aquelas modeladas após a Iniciativas digitais da Biblioteca do Congresso ou o Iniciativa de Diretrizes Digitais de Agências Federais (FADGI), que defende a manutenção de protocolos de acesso aberto e o suporte à infraestrutura digital por meio de iniciativas financiadas pelo governo, são essenciais.

A recente remoção dos arquivos digitais da MTV News serve como um lembrete gritante da fragilidade de nossa herança cultural digital. Este evento deve galvanizar empresas de mídia, instituições culturais, formuladores de políticas e o público para a ação. Os arquivos digitais não devem ser vistos meramente como repositórios de criações passadas, mas como recursos ativos e dinâmicos que educam, inspiram e entretêm.

Para proteger esses recursos inestimáveis, devemos pressionar por políticas claras e acionáveis ​​que garantam a preservação e acessibilidade digitais. Advogar pela expansão da Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital (DMCA) incluir cláusulas obrigatórias de arquivamento digital, ou estabelecer parcerias público-privadas que apoiem a sustentabilidade de longo prazo dos recursos digitais, como visto em várias leis de preservação digital de nível estadual, são algumas vias que as partes interessadas podem tomar. Ao tomar essas ações concretas, podemos salvaguardar nossa memória cultural e garantir que os tesouros digitais de hoje permaneçam acessíveis para as gerações futuras



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